Reajustes Ago/2026: EDP ES +7,5% e Cooperativas RS até 30%
Publicado em 15 ago 2026 · 6 min de leitura · Fonte: ANEEL
Duas ondas de reajuste em duas semanas
292.611 UCs no RS (30/jul) · 1,88 milhão no ES (7/ago)
Duas rodadas de reajuste tarifário entraram em vigor entre o fim de julho e o começo de agosto de 2026, e elas não se parecem em nada. No Espírito Santo, a EDP subiu 7,52% em média — dentro do padrão do ciclo. No Rio Grande do Sul, dez cooperativas de distribuição tiveram tarifa nova a partir de 30 de julho, e ali os números vão de 4,8% a mais de 30%.
A diferença entre os dois casos não é regulatória, é de composição de custo. Vale entender, porque é o mesmo mecanismo que vai definir os próximos reajustes do ciclo.
As dez cooperativas gaúchas
Todas com vigência a partir de 30 de julho de 2026. Os valores abaixo são a tarifa residencial homologada (B1 convencional, sem impostos e sem bandeira) antes e depois do reajuste:
| Cooperativa | UCs | Antes | Depois | Variação |
|---|---|---|---|---|
| Cooperluz | 17.863 | R$ 0,477 | R$ 0,622 | +30,3% |
| Celetro | 24.739 | R$ 0,751 | R$ 0,969 | +29,0% |
| Cermissões | 29.435 | R$ 0,714 | R$ 0,891 | +24,8% |
| Certel | 78.429 | R$ 0,736 | R$ 0,913 | +24,1% |
| Certaja | 15.503 | R$ 0,633 | R$ 0,780 | +23,2% |
| Creluz | 26.114 | R$ 0,649 | R$ 0,786 | +21,1% |
| Coprel | 60.386 | R$ 0,604 | R$ 0,716 | +18,6% |
| Ceriluz | 15.653 | R$ 0,552 | R$ 0,649 | +17,7% |
| Creral | 8.158 | R$ 0,921 | R$ 1,054 | +14,5% |
| Cerfox | 16.331 | R$ 0,802 | R$ 0,841 | +4,8% |
Tarifa de aplicação B1 convencional residencial (TUSD + TE), R$/kWh, sem tributos. Fonte: ANEEL — tarifas homologadas.
Por que 20% e não 7%
A conta de uma distribuidora tem duas metades: a Parcela A, que é custo que ela apenas repassa (energia comprada, transporte, encargos setoriais), e a Parcela B, que é a operação dela mesma — rede, manutenção, pessoal. Só a segunda está sob controle da empresa.
A Certel, a maior do grupo, deu o número que explica o ciclo inteiro: a parcela dos seus próprios serviços de operação e manutenção subiu 4,12%, enquanto o reajuste médio total ficou em 21,93%. Ou seja, quase todo o aumento veio de fora da cooperativa. Os fatores apontados foram a instabilidade de comercializadoras de energia em recuperação judicial, o encarecimento do transporte e da conexão com a rede da supridora e a alta dos encargos do setor.
É por isso que o mesmo mês produz +4,12% de custo operacional e +21,93% de tarifa final: quem reajusta, na prática, é o mercado atacadista de energia — a cooperativa é o meio do caminho.
EDP Espírito Santo: 7,52%
Aprovado pela diretoria da ANEEL em 28 de julho, com vigência a partir de 7 de agosto de 2026, para cerca de 1,88 milhão de unidades consumidoras. O reajuste varia por grupo:
Média geral
+7,52%
Residencial
+7,27%
Baixa tensão
+7,11%
Alta tensão
+8,65%
Na tarifa residencial homologada, a conta fica assim: de R$ 0,789 para R$ 0,844 por kWh. Para quem consome 200 kWh por mês, são R$ 10,88 a mais por mês só na parcela de energia — antes de ICMS e da bandeira tarifária, que em agosto segue amarela. Veja o valor completo na página da EDP ES.
A ANEEL apontou como principais pressões os custos de transmissão, de distribuição e de aquisição de energia, além de componentes financeiros incluídos no ciclo atual — a mesma família de causas do caso gaúcho, em intensidade menor.
Equatorial Pará: aprovada, aguardando publicação
O terceiro reajuste do período é o maior em número de consumidores: a Equatorial Pará atende cerca de 3,19 milhões de unidades consumidoras. A diretoria da ANEEL aprovou em 11 de agosto um reajuste médio de 6,94%, com vigência retroativa a 7 de agosto — 6,7% no grupo residencial, 6,6% na baixa tensão e 8,09% na alta tensão. A votação havia sido suspensa por um pedido de vista antes de ser concluída.
Até a publicação desta nota, a resolução homologatória ainda não havia entrado no dataset oficial de tarifas da ANEEL. Por isso a página da distribuidora aqui no site continua exibindo a tarifa da vigência anterior: a atualização entra assim que a resolução for publicada na fonte. Preferimos mostrar o último valor oficialmente publicado a antecipar número que ainda não está homologado.
O que isso indica para o resto do ciclo
- O custo de suprimento é o motor. Quando a inadimplência e a recuperação judicial de comercializadoras entram na conta, quem tem menos mercado para diluir o custo — cooperativas e permissionárias pequenas — sente muito mais.
- Tamanho importa. A EDP ES, com 1,88 milhão de UCs, absorveu a mesma família de pressões em 7,52%. As gaúchas, com 8 mil a 78 mil UCs cada, foram de 14% a 30%.
- O percentual da manchete não é o da sua conta. O reajuste médio mistura classes e níveis de tensão; sua fatura depende ainda do ICMS do estado e da bandeira do mês.
- Reajuste anual é permanente. Cada distribuidora tem sua data-base — o histórico de reajustes mostra o comportamento de cada uma ao longo dos anos.
Como reagir
- Descubra sua tarifa real. Encontre sua distribuidora em tarifas por estado e veja o valor vigente com ICMS.
- Meça antes de cortar. Saber qual aparelho pesa é mais eficaz que economia difusa — use a calculadora de consumo por aparelho.
- Simule a conta completa. O simulador junta tarifa, ICMS e bandeira do mês.
- Compare o payback solar. Quanto maior a tarifa local, mais rápido o retorno — as cooperativas gaúchas acabaram de ficar mais atrativas para geração própria. Simule para sua cidade.
Acompanhe
As tarifas deste site são atualizadas automaticamente a partir do dataset de tarifas homologadas da ANEEL. A próxima definição de bandeira tarifária, para setembro, sai no fim de agosto — acompanhe na página de bandeira.