Bandeira Amarela Agosto/2026: 4º Mês Seguido de Cobrança

Publicado em 03 ago 2026 · 4 min de leitura · Fonte: ANEEL

Bandeira Amarela

Agosto 2026 · +R$ 1,885 a cada 100 kWh

A ANEEL manteve a bandeira amarela para agosto de 2026 — o quarto mês consecutivo com cobrança extra, depois de maio, junho e julho. A agência apontou a consolidação do período seco sobre os principais reservatórios do país: com menor afluência, o sistema precisa acionar térmicas para garantir o suprimento e preservar os estoques hidráulicos.

Mas vale separar o sinal do ruído: amarela em agosto não é sinal de crise hídrica. O submercado Sudeste/Centro-Oeste fechou julho em 63,1% da capacidade e o ONS projeta encerrar agosto perto de 61% — acima da marca de 60% no auge do período seco. Somado a isso, as afluências na região Sul vieram muito acima da média histórica e ajudaram a segurar o preço da energia no mercado de curto prazo.

Impacto na conta de luz

O acréscimo da bandeira amarela é de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos — o menor entre as bandeiras com cobrança.

Consumo de 150 kWh

+R$ 2,83

na conta de agosto

Consumo de 300 kWh

+R$ 5,66

na conta de agosto

Consumo de 500 kWh

+R$ 9,43

na conta de agosto

Agosto de 2026 contra agosto de 2025

Esse é o dado que muda a leitura do mês. Em 2025, a bandeira vermelha vigorou de junho a novembro — seis meses seguidos, sendo agosto e setembro no patamar 2, o mais caro do sistema. Em 2026, agosto está duas faixas abaixo:

Mês 2025 2026 Extra / 300 kWh
Ago Vermelha P2 Amarela R$ 23,63 → R$ 5,65
Set Vermelha P2 A definir R$ 23,63 em 2025
Out Vermelha P1 A definir R$ 13,39 em 2025

Numa conta de 300 kWh, sair da vermelha P2 para a amarela representa R$ 17,98 a menos por mês, só na parcela da bandeira.

Comparativo entre bandeiras

Bandeira Acréscimo / 100 kWh Custo extra / 300 kWh
Verde (sem acréscimo) R$ 0,000 R$ 0,00
Amarela (+R$ 1,885/100 kWh) ← vigente R$ 1,885 R$ 5,65
Vermelha P1 (+R$ 4,463/100 kWh) R$ 4,463 R$ 13,39
Vermelha P2 (+R$ 7,877/100 kWh) R$ 7,877 R$ 23,63

Histórico de bandeiras em 2026

Jan/2026 Verde
Fev/2026 Verde
Mar/2026 Verde
Abr/2026 Verde
Mai/2026 Amarela
Jun/2026 Amarela
Jul/2026 Amarela
Ago/2026 Amarela

O ano começou com quatro meses de bandeira verde (janeiro a abril), com os reservatórios cheios após o período úmido. A virada para amarela veio em maio, no início do período seco, e se repete desde então — sem escalar para vermelha, diferente do que aconteceu em 2025.

Por que a térmica entra mesmo com reservatório em 60%

O Brasil gera a maior parte da eletricidade em hidrelétricas, e entre maio e outubro as chuvas diminuem no Sudeste e Centro-Oeste. O operador do sistema tem duas opções: usar a água estocada agora ou acionar térmicas e guardar a água para os meses seguintes. Quando o fim do período seco ainda está longe, a segunda opção costuma sair na frente — é mais caro no mês, mas evita chegar em outubro com reservatório no fundo. A bandeira amarela é justamente o repasse desse custo de operação.

Por isso a leitura de "bandeira amarela = reservatório baixo" nem sempre se sustenta. Em agosto de 2026 os estoques estão em nível confortável; o que pesa é o custo de mantê-los assim.

O que observar até outubro

  • Chuvas de primavera: a recuperação começa entre outubro e novembro. Se vier no prazo, a bandeira tende a aliviar no fim do ano.
  • Carga: o ONS projeta demanda 4,8% maior em agosto de 2026 do que no mesmo mês de 2025 — consumo crescendo pressiona o despacho térmico.
  • Sul: as afluências bem acima da média na região funcionaram como amortecedor do preço da energia no curto prazo.
  • Nível dos reservatórios: a projeção de fechar agosto acima de 60% é o principal indicador de que não há aperto à vista.

Como se proteger

  1. Reduza o chuveiro — principal vilão da conta no inverno. Veja o guia do chuveiro.
  2. Provisione — guarde a folga dos meses de bandeira verde para os meses de cobrança extra.
  3. Considere a tarifa branca — vale se você consegue deslocar consumo para fora do horário de ponta. Entenda o horário de ponta.
  4. Avalie energia solar — protege contra bandeiras e reajustes no longo prazo. Simule para sua cidade.

Acompanhe

A bandeira de setembro será anunciada no fim de agosto. Acompanhe na nossa página de bandeira tarifária, atualizada todo mês, e simule o valor da sua conta com a tarifa da sua distribuidora no simulador.

Perguntas Frequentes

Qual a bandeira tarifária de agosto de 2026?
A ANEEL definiu bandeira amarela para agosto de 2026, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. É o quarto mês consecutivo de amarela, após maio, junho e julho. Para uma casa que consome 300 kWh/mês, o custo extra é de R$ 5,66.
Por que a bandeira continua amarela em agosto?
A ANEEL apontou a consolidação do período seco sobre os principais reservatórios do país: com menor afluência (chegada de água), o sistema precisa de despacho térmico complementar para garantir a segurança do suprimento e preservar os estoques hidráulicos. Usina térmica custa mais que hidrelétrica, e esse custo extra é sinalizado pela bandeira.
Os reservatórios estão baixos em agosto de 2026?
Não como em 2025. O submercado Sudeste/Centro-Oeste — onde estão os maiores reservatórios do país — fechou julho em 63,1% da capacidade, e o ONS projeta encerrar agosto em torno de 61%. Ficar acima da marca de 60% no auge do período seco é um cenário confortável: reduz a necessidade de medidas adicionais de segurança energética. A amarela reflete o custo do despacho térmico, não escassez.
Agosto de 2026 está melhor ou pior que agosto de 2025?
Bem melhor. Em agosto de 2025 vigorou bandeira vermelha patamar 2 (R$ 7,877/100 kWh), a mais cara do sistema, que se repetiu em setembro. Em 2026, o mesmo mês tem amarela: numa conta de 300 kWh, a parcela da bandeira cai de R$ 23,63 (2025) para R$ 5,66 (2026) — R$ 17,98 a menos no mesmo consumo.
Quanto a bandeira amarela aumenta na conta de luz?
O acréscimo é de R$ 1,885 por 100 kWh. Na prática: 150 kWh = +R$ 2,83. 300 kWh = +R$ 5,66. 500 kWh = +R$ 9,43. É o menor acréscimo entre as bandeiras com cobrança.
A bandeira pode ficar vermelha em setembro ou outubro?
É possível — setembro e outubro são o fim do período seco e historicamente concentram as bandeiras mais caras. Mas o ponto de partida de 2026 é melhor: reservatórios acima de 60% e afluências muito acima da média no Sul, que ajudaram a segurar o PLD. O risco existe se as chuvas de primavera atrasarem e a carga seguir crescendo (o ONS projeta demanda 4,8% maior em agosto que em 2025).
Como reduzir o impacto da bandeira amarela?
1) Reduza o tempo do chuveiro — é o maior vilão no inverno. 2) Desligue aparelhos do standby. 3) Use a máquina de lavar só com carga cheia. 4) Avalie a tarifa branca se você concentra consumo fora do horário de ponta. 5) Para o longo prazo, energia solar elimina o impacto de bandeiras e reajustes.