Reajustes Ago/2026: CELESC +9,3%, Elektro +12,2% e 5 Quedas
Publicado em 01 set 2026 · 7 min de leitura · Fontes: ANEEL (resoluções homologatórias e dataset de tarifas)
3 altas
CELESC, Elektro e Equatorial MA · 9.635.555 unidades consumidoras
5 quedas
Norte e Nordeste, até −10,63% · 6.838.562 unidades consumidoras
A última semana de agosto de 2026 concentrou os dois movimentos opostos do setor elétrico. Três distribuidoras tiveram reajuste anual de alta — Elektro (+12,24% no residencial), CELESC (+9,29%) e Equatorial Maranhão (+5,20%). E cinco distribuidoras do Norte e Nordeste tiveram redução, de até 10,63%, em 26 de agosto.
Tarifa de energia caindo é raro o bastante para merecer explicação, e a causa não tem nada a ver com a das altas. Vamos aos dois lados — com o valor do kWh antes e depois, que é o número que some das manchetes.
As três altas
Valores da tarifa de aplicação residencial B1 convencional (TUSD + TE), sem impostos, como homologada pela ANEEL:
| Distribuidora | Residencial B1 | R$/kWh antes → depois | Em 200 kWh |
|---|---|---|---|
| CELESC SC · 3.622.661 UCs · desde 22 de agosto | +9,29% | R$ 0,696 → R$ 0,760 | R$ 139,14 → R$ 151,95 |
| Neoenergia Elektro SP/MS · 3.104.381 UCs · desde 27 de agosto | +12,24% | R$ 0,796 → R$ 0,892 | R$ 159,21 → R$ 178,33 |
| Equatorial Maranhão MA · 2.908.513 UCs · desde 28 de agosto | +5,20% | R$ 0,843 → R$ 0,889 | R$ 168,64 → R$ 177,77 |
Coluna "em 200 kWh" = só a parcela de energia, sem ICMS, PIS/COFINS, iluminação pública ou bandeira. Serve para comparar o tamanho do reajuste, não para prever a fatura.
Dividir uma tarifa pela outra não devolve exatamente o percentual da coluna anterior — na CELESC dá 9,21% contra os 9,29% homologados. Não é erro de nenhum dos dois: o índice da ANEEL é o efeito sobre toda a classe residencial B1, que reúne modalidades e faixas com pesos diferentes, enquanto a coluna de R$/kWh é uma delas em específico, a convencional plena. As duas medidas andam juntas, mas não são a mesma conta.
Qual desses percentuais é o seu
Cada reajuste sai da ANEEL com quatro números diferentes, e a manchete costuma escolher o maior. No caso da CELESC circularam 10,82%, 9,29%, 9,26% e 14,16% — todos corretos, medindo coisas distintas:
| Medida | Quem é | CELESC | Elektro | Equatorial MA |
|---|---|---|---|---|
| Residencial B1 | Sua casa ← é este | +9,29% | +12,24% | +5,20% |
| Baixa tensão | Casas + pequenos comércios | +9,26% | +12,19% | +5,25% |
| Alta tensão | Indústrias e grandes consumidores | +14,16% | +4,10% | +8,68% |
| Efeito médio | Média de todo mundo — o da manchete | +10,82% | +9,58% | +5,76% |
Repare na Elektro: o efeito médio (9,58%) é menor que o residencial (12,24%), porque a alta tensão subiu só 4,10% e puxa a média para baixo. Na CELESC acontece o inverso. Ler a manchete e assumir que aquele é o seu número erra para os dois lados.
As cinco quedas — e por que aconteceram
Em 26 de agosto, cinco distribuidoras do Norte e Nordeste passaram a cobrar menos. A razão não é hidrologia nem eficiência: é uma antecipação de receita da União chamada UBP.
O que é o UBP. Uso de Bem Público é o valor que certas hidrelétricas pagam à União pelo direito de explorar um bem público — o rio. A Lei nº 15.235/2025 abriu a possibilidade de a geradora quitar o montante anual à vista, com 50% de desconto. O dinheiro antecipado foi aportado na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e vira redutor de tarifa para o consumidor cativo das áreas da Sudam e da Sudene. Em 11 de agosto de 2026 a ANEEL homologou R$ 5,48 bilhões nesse mecanismo, distribuídos entre 22 distribuidoras.
| Distribuidora | Baixa tensão | R$/kWh antes → depois | Em 200 kWh |
|---|---|---|---|
| Energisa Rondônia RO · 776.699 UCs | −10,63% | R$ 0,841 → R$ 0,762 | R$ 168,28 → R$ 152,49 |
| Enel Ceará CE · 4.367.567 UCs | −6,65% | R$ 0,750 → R$ 0,702 | R$ 149,95 → R$ 140,35 |
| Energisa Acre AC · 468.940 UCs | −5,20% | R$ 0,874 → R$ 0,830 | R$ 174,76 → R$ 165,94 |
| Sulgipe SE · 180.367 UCs | −4,63% | — · R$ 0,719 | — |
| Energisa Tocantins TO · 1.044.989 UCs | −1,36% | R$ 1,006 → R$ 0,993 | R$ 201,21 → R$ 198,56 |
Percentuais oficiais da ANEEL (efeito médio na baixa tensão, que reúne residências e pequenos comércios). Como na tabela anterior, a razão entre as duas tarifas não reproduz o percentual exato — são recortes diferentes do mesmo ato. A Sulgipe aparece sem o par antes/depois porque a série do dataset não tem uma vigência anterior diretamente comparável, e publicar a diferença seria inventar uma precisão que o dado não tem.
A Energisa Rondônia é o caso extremo: −10,63% na baixa tensão, com a tarifa residencial homologada caindo de R$ 0,841 para R$ 0,762 por kWh. Numa casa de 200 kWh/mês, são R$ 15,79 a menos por mês só na parcela de energia — antes de impostos.
Quem ainda vai receber o UBP, e quando
As cinco de 26 de agosto receberam por ato específico. As demais das 22 incorporam o recurso no próprio reajuste anual, cada uma na sua data-base — foi o que já aconteceu com a Equatorial Maranhão e a Energisa Paraíba em 28 de agosto: o UBP entrou como moderador e o percentual saiu menor do que seria.
As principais que ainda não aplicaram, com o mês da próxima data-base:
| Distribuidora | UF | Unidades consumidoras | Data-base |
|---|---|---|---|
| Neoenergia Coelba | BA | 7.088.429 | abril |
| Neoenergia Pernambuco | PE | 4.248.757 | abril |
| Energisa Mato Grosso | MT | 2.183.470 | abril |
| Neoenergia Cosern | RN | 1.660.497 | abril |
| Equatorial Piauí | PI | 1.589.774 | dezembro |
| Equatorial Alagoas | AL | 1.441.201 | maio |
| Amazonas Energia | AM | 1.206.209 | maio |
| Energisa Sergipe | SE | 1.008.391 | abril |
| Equatorial Amapá | AP | 282.788 | maio |
| Roraima Energia | RR | 232.302 | janeiro |
Data-base = mês em que termina a vigência atual no dataset da ANEEL, que é quando entra o próximo reajuste. Equatorial Maranhão e Energisa Paraíba não aparecem aqui porque já incorporaram o UBP no reajuste de 28 de agosto. Cemig, EDP ES e ELFSM também estão entre as 22, com regra especial: o recurso vai só para as unidades consumidoras de municípios dentro da Sudam ou da Sudene.
Atualização em 1º/10/2026: a Roraima Energia não esperou a data-base de janeiro. A ANEEL recalculou a tarifa dela com o UBP (Resolução Homologatória nº 3.607): redução média de 14,67% a partir de 1º de setembro de 2026, com a residencial indo de R$ 0,78947 para R$ 0,67304 por kWh. Veja a página da Roraima Energia.
Duas tarifas aprovadas que ainda não estão no dataset
A ANEEL aprovou 4,81% para os residenciais da Energisa Paraíba (efeito médio 5,74%), com vigência em 28 de agosto, e 6,7% para os residenciais da Equatorial Pará (efeito médio 6,94%), com vigência retroativa a 7 de agosto. Nos dois casos a resolução homologatória ainda não entrou no dataset oficial de tarifas, que é a fonte das páginas deste site.
Enquanto isso, as páginas da Energisa Paraíba e da Equatorial Pará seguem exibindo o último valor publicado pela ANEEL. É uma escolha deliberada: preferimos mostrar o número oficial mais recente a estimar um valor que a agência ainda não publicou. Assim que a resolução entrar na base, a atualização é automática.
Atualização em 1º/10/2026: a Energisa Paraíba entrou no dataset com vigência em 28 de agosto. A Equatorial Pará só teve a aprovação concluída em 15 de setembro. A Resolução Homologatória nº 3.608, publicada em 18 de setembro, fixou a vigência a partir da publicação, não retroativa a 7 de agosto como dizia o parágrafo acima. A residencial foi de R$ 0,97830 para R$ 1,04322 por kWh. Como o dataset ainda não trouxe essa resolução (nem a da Roraima Energia, nem 16 cooperativas de Santa Catarina reajustadas em 30 de setembro), o site passou a usar a tabela publicada no próprio ato quando a base atrasa. Quando o dataset alcança, a página volta a ele sozinha.
O que fazer com isso
- Confira a tarifa da sua distribuidora — o valor vigente, com ICMS do seu estado, está em tarifa por distribuidora.
- Simule a conta real — reajuste é sobre a tarifa, não sobre a fatura. O simulador junta tarifa, ICMS e bandeira.
- Olhe a bandeira do mês — setembro segue amarela, o quinto mês seguido, somando R$ 1,885 a cada 100 kWh.
- Compare antes de brigar com o número — o histórico de reajustes mostra a série de cada distribuidora desde 2012.
- Para o longo prazo, energia solar trava boa parte do custo e blinda contra reajuste e bandeira.
Acompanhe
As próximas datas-base do ciclo são em setembro e outubro. Acompanhe a tarifa vigente de cada uma das 84 distribuidoras em tarifa por distribuidora, atualizada semanalmente a partir do dataset da ANEEL.